Regra #1 do clube de user experience: pensar como usuário.
Regra #2 do clube de user experience: pensar como usuário!
Grandes poderes trazem grandes responsabilidades
Que os profissionais de UX devem ser power users de inúmeras ferramentas web estamos cansados de saber. Também temos plena consciência que o ponto principal do nosso trabalho é advogar em nome do usuário e mais importante que tudo: pensar como ele.
Sem o usuário estarÃamos apenas projetando experiências soltas no ar pautadas por nossos próprios gostos, desejos e manias digitais. Todos esses conceitos são básicos para fazermos um bom trabalho mas as vezes a gente se perde na nossa própria experiência, esquecemos que os resultados entregues devem ser “user friendly” e não “power user friendly”.
Atenção: Não se torne um Sheldon!
Ótima pergunta, pai!
Meu pai tem 67 anos. Hoje mora sozinho pois os filhos já saÃram de casa. Comprou seu primeiro computador fazem menos de 2 anos. O tempo que passo na minha velha casa ajudando meu pai a usar aquele moderno PC e assistir ele tentar domar a máquina está sendo de imensa validade pra mim. Quando se observa alguém desbravando um mundo completamente estranho, sendo que você domina esse mundo completamente, é que realmente se aprende e identifica um mundo de problemas de usabilidade. Eles estão por aà em sistemas operacionais e sites se propagando aos milhões e muita gente nunca presta atenção. Mas como identificar esses problemas se somos tão power user que nos tornamos quase imunes a esses pequenos detalhes que deixam as pessoas digitalmente analfabetas perplexas?
Coisas tão simples como descobrir onde trocar o papel de parede da desktop podem parecer bobas pra vocês, mas é uma batalha para pessoas como meu pai. Qual a diferença entre Meu Computador e Meus Documentos? Como eu faço uma pesquisa se o botão Google em meus Favoritos não aparece mais? Qual a diferença entre Gmail e e-mail?
Perguntas bobas e dispensáveis certo? Errado! Isso tudo é ouro. Um baú de riquezas que deve ser pensado na perspectiva de quem está perguntando. Na maioria das vezes nem fazemos mais essas perguntas porque achamos que a maioria das pessoas já tem noção desses detalhes.
Quanto mais funcionalidades os sistemas de informação vão acumulando mais os usuários vão perdendo o controle dos mesmos, tendo que se prender a rotinas repetitivas para completar tarefas e deixando de lado o prazer da experiência intuitiva.
Keep it simple, stupid!
Não deverÃamos nunca deixar o excesso de funcionalidades atrapalhar na simplicidade de uso. Se um sistema tem tudo o que um usuário poderia fazer provavelmente ele é ruim. Usuários não precisam fazer tudo. Eles precisam fazer o necessário, o essencial.
Não deixe o seu power user interno atrapalhar o user friendly do próximo.

Pois é Carlos, parece que quanto mais atualizam os programas, apps e softwares da vida, mais complicados eles vão ficando… quando deveria ser o contrário, né? rs
Ces´t la vie… le prix de la technologie.
Beijos!
achei otimo o lance do Sheldon como comparativo! e seu pai tem q ser filmado naquelas salinhas de testes!
Basta trabalhar com TI e ter um pai pra participar da discussão do post. Boa abordagem, no entanto…
… será que “eles”, os novos usuários, não devem também se comprometer em estudar a interface e os meios de interação com as ferramentas que estão dispostos à interagir por motivos diversos? Será que nosso papel como desenvolvedor não é diminuir a curva de aprendizado sem deixar a ferramenta monotarefa demais?
Pego como exemplo meu pai e seu som automotivo com MP3. O vendedor explorou a possibilidade do MP3 para poder realizar sua venda e levantou um mar de possibilidades pro velho: “-Ó, com esse som e um cedê com emepetrês você consegue ouvir até 600 minutos de música em vez dos tradicionais 80″. O desgramado, no entanto, não deu detalhes sobre como gravar um cd, como lidar com copyright e nem como obter as músicas que o velho gosta.
Eu, como bom filho na tentativa de ensiná-lo fui guiando-o através das interfaces dos softwares necessários para tal realização. Windows 7, Soulseek, Windows Media Player e Deep Burner, nesta ordem, foram os passos que julguei suficientes para que tudo fluÃsse como o vendedor sugeriu.
No meio do tortuoso caminho meu pai pergunta: “-Poxa, tanta tecnologia, tanta gente inteligente trabalhando pra isso acontecer e tudo é tão difÃcil. Por que vocês [profissionais de TI e afins] não se esforçam pra fazer algo simples? Um botão gravar e pronto!”. Confesso que me senti insultado e exclamei: “-Ora, pai, você quer desfrutar de todos os benefÃcios da tecnologia sem ao menos se dedicar a lidar com ela… cê é forgado, ein”.
Pior que ele tem razão. As coisas podiam ser mais simples, mas, é um erro pensar que isso é culpa exclusivamente nossa: legisladores confusos, empresários quadrados, polÃticos populistas, cientistas impacientes – entre outros – também fazem com que indiretamente o mundo do UX seja menos legal do que Minority Report. Por este motivo me senti insultado.
Sempre vamos nos deparar com incompatibilidades e então teremos que inventar remendos de usabildiade – o que torna a experiência indireta com as ferramentas a regra em vez de exceção. Não consigo (e não quero) imaginar menos do que três softwares para gravar um cedê com emepetrês. Meu pai que aprenda.
Felipe, curti o contraponto. Acho que você não está 100% errado mas nem 100% certo. E acho que a estratégia do botão único de GRAVA sempre é boa como default, mas nada impede de funções mais avançadas estarem presentes pra usuários mais eXpertinhos. Infelizmente há muita gente que não quer nem se interessa a dedicar-se a esses aprendizados. Querem mesmo seguir aquele roteirinho simples que resolve sempre. E pra isso a gente tem que estar sempre preparado.
Bom feedback.
Você foi muito feliz no post. Muitas vezes esquecemos que aquilo que estamos projetando será utilizado por uma pessoa que possui um background muito diferente da gente.
Pensar com a cabeça do usuário é uma grande exercÃcio.